Crianças, tecnologia e doenças

As tecnologias que inventamos possuem um papel importante em vários aspectos. Entre eles o de igualar as pessoas. Com o avanço tecnológico cada vez mais podemos fazer de tudo, sem distinção de idade, sexo ou força física. Apenas para citar algumas vantagens, nós melhoramos a saúde com os remédios, superamos obstáculos com as próteses, eliminamos as distâncias com a internet e diminuímos trabalhos perigosos com o uso de robôs. Sem dúvida as tecnologias melhoraram muito nossas vidas.

No entanto, a forma como usamos esses equipamentos, também trazem uma série de complicações, acidentes e doenças que poderíamos evitar. Entre esses problemas se destaca uma séria diminuição da saúde em crianças. Alguns estudos sinalizam que nossas crianças estão cada vez mais fracas, obesas e acumulando uma variada gama de problemas físicos. Tudo devido ao excesso no uso de tecnologias como televisão, games, celulares, tablets e alimentação.

Alimentação e falta de exercício são os principais motivos na maioria dos problemas. Como atualmente os alimentos são industrializados, produzidos tecnologicamente e muito calóricos, com excesso de substâncias como sal, açúcar, entre outros, acabamos comendo mais que o necessário. A falta de exercícios potencializa o acúmulo de calorias e diminui a capacidade física, deixando as pessoas mais frágeis e propensas a uma série de doenças.

Alguns especialistas alertam na imprensa que provavelmente uma boa parcela de crianças dessa nova geração viveria menos que seus pais. Estamos perdendo hábitos importantes e saudáveis. Alguns indicadores apontam que 80% da população não faz o mínimo de exercício necessário para manter o corpo saudável. Na década de 80 caminhávamos em média 10 mil passos por dia, hoje baixamos para 2 mil apenas. Com as crianças não é diferente. Aos poucos, substituímos as brincadeiras de rua como jogar bola, correr, nadar, por brincadeiras com equipamentos digitais, games e atividades que mantém a criança parada em frente ao computador ou celular.

Um estudo elaborado pela educadora física Ana Beatriz Moreira, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2017, analisou 200 crianças entre seis e dezessete anos de idade e constatou que 75% dos jovens tinham menos força muscular que o esperado e 32% desses jovens estavam acima do peso. Em parte, devido ao fato da maioria dos pais não considerar o sobrepeso dos filhos como um problema de saúde. Entendendo como desnecessário cuidar do assunto, os pais acabam deixando as crianças sem supervisão, comprometendo a educação tecnológica e alimentar.

Uma outra característica interessante que alguns estudos sinalizam é uma possível diminuição da sociabilidade e do autocontrole, já que as crianças podem ir se isolando das outras diminuindo a experiência do contato direto. Se relacionar com outros através das redes digitais não tem o mesmo efeito que um relacionamento presencial, físico.

Pediatras aconselham que o contato com a tecnologia não ocorra antes dos dois anos de idade. Aconselham também, que os pais monitorem e ensinem seus filhos para um uso consciente das tecnologias. Sendo necessário estipular aos jovens longos períodos diários sem o uso de televisão, celulares, internet, etc. Uma tarefa difícil nos dias de hoje.

No entanto, sem uma educação que contemple o uso consciente de tecnologias, alimentação e prática de exercícios, provavelmente uma série de doenças que foram detectadas como ocorrências motivadas pelas tecnologias irão entrar em nossa rotina. Epidemias como o transtorno do sono em crianças, devido ao alto estímulo tecnológico e ausência de cansaço físico, distúrbios de comportamento e agravos psicológicos, devido diminuição do convívio social direto, sem mediação da tecnologia. Aumento do diabetes, da pressão alta, da obesidade, problemas musculares, auditivos e visuais podem se multiplicar em larga escala em pessoas jovens. Doenças que antes faziam parte da rotina dos idosos, podem afetar toda uma população jovem.

Substituir saúde e qualidade de vida por tecnologia, não parece uma boa ideia. O adequado é que consigamos conviver de forma saudável com nossas invenções. Para isso, educar as crianças é imprescindível.


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