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Filme:Ponte dos Espiões, o melhor da guerra fria

Por Beto Canales em 09/2017 | Deu erro? avise aqui

Se é que se possa dizer que tenha produzido algo positivo, o período da guerra fria rendeu, e ainda irá render, muitos e bons filmes.

Aquele clima pré-catástrofe, o mundo dividido em nós contra eles, as aventuras fantásticas de
espiões e contra-espiões não poderiam gerar outra coisa, algumas décadas depois, do que excelentes histórias.

Pois Ponte dos Espiões, nome original “Bridge of Spies”, com seis indicações ao Oscar 2016, incluindo melhor filme, mas ganhando apenas melhor ator coadjuvante com Mark Rylance, nos leva de volta à guerra fria.

Spielberg parece ter achado o rumo novamente e dirige o filme de forma magistral. Permite aos atores, principalmente o ótimo Tom Hanks ser Tom Hanks sem muita frescura e, de forma simples e com muita arte, dá vida ao advogado Donovan, um sujeito que realmente existiu e foi negociador de prisioneiros americanos com a então União Soviética em plena RDA, ou, República Democrática Alemã, ou seja, a Alemanha Comunista, exatamente no pior período de todos, o da construção do famigerado muro de Berlim.

il-ponte-delle-spie-2015-bridge-of-spies-steven-spielberg-10.jpg (1440×810)

Guerra Fria

O fato de toda a história ter realmente ocorrido deixa uma desconfiança no ar. Desnuda o quanto os governos, tanto o “nosso” quanto os “deles”, são baixos e vis. Chega a dar medo. Uma enorme riqueza de detalhes, outra característica do período da guerra fria, não fica de fora. Todo o filme é meticulosamente organizado. Ele caminha lentamente, levando o espectador num crescente constante junto com a trama.

Chama a atenção também a forma linear em que tudo ocorre. Nada de montanha russa, ou, a velha técnica de pressão/repouso, alto/baixo e tantos outros nomes. Ponte dos Espiões desliza tranquilo e profundo, como um rio caudaloso em seus 141 minutos nada cansativos.  Aproveita de maneira incomum, mesmo em se tratando de Steven Spielberg, para contar uma história já incrível de uma forma peculiar, deixando a realidade inimaginavelmente maluca ainda mais fantástica.

Se falássemos de literatura, poderia se encaixar na obra de Gabriel Garcia Marques. A época da guerra fria foi, sem dúvida alguma, o realismo fantástico da vida real.

Mas não é nada disso: é simplesmente a vida e a arte. A boa arte.

Sempre lado a lado!