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Vírus de Computador, Verdades e mentiras

Autor: Telmo Regis

A descoberta do vírus de computador deve-se ao Drº Fred Cohen em 1983, em um estudo que realizava sobre segurança na informática, sendo que o primeiro registro de vírus de computador ocorreu em 1986. Este vírus atacava o setor de boot de disquetes de 360 Kb, seu nome era “Brain”. Desde então surgiram inúmeros vírus, e a imaginação dos programadores parece não ter limites.

Muitos profissionais e estudiosos da informática defendem que o vírus de computador é um micro-organismo eletrônico, uma forma de vida criada pelo homem, já que é capaz de infectar e reproduzir-se sem a interferência humana,cumprindo assim,o ciclo elementar da vida. A analogia que é feita entre o vírus de computador e o “biológico” provém do fato que este ataca as células hospedeiras servindo-se das mesmas para reproduzir-se.
Do ponto de vista da programação, os vírus de computador são programas sofisticados, que apresentam um baixo índice de falhas e são capazes de serem executados em diferentes tipos de máquinas.
O objetivo deste artigo não é o de abordar o estudo sobre projeto de vírus de computador, mas sim, o de discutir a terminologia e a analogia adotada para definir este tipo de programa, e principalmente a farsa pretensiosa e confusa de alguns que acreditam serem capazes de criar vida em seus compiladores.

Para que você possa entender o relacionamento que foi estabelecido entre vírus patogênico e vírus de computador, apresento a seguir alguns conceitos básicos de microbiologia, que poderão ajudar a esclarecer o motivo pelo qual esta terminologia foi adotada para este tipo de programa.

CONCEITUAÇÃO:

MICROBIOLOGIA
Ciência que estuda a vida em suas formas microscópicas, sendo chamadas de germes ou micro-organismos.
Divide-se em:
Bacteriologia: estudo das bactérias;
Micologia: estudo dos fungos e cogumelos;
Virologia: estudos dos vírus;
Rickettsiologia: estudo das formas intermediárias entre bactérias e vírus.

MICRO-ORGANISMO
Forma de vida microscópica presente na natureza, podendo ser encontrado no ar, poeira, água, solo ou outros seres vivos.Os micro-organismos que provocam doenças no homem são denominados de patogênicos, existindo, porém micro-organismos que são úteis como no caso das bactérias que vivem no intestino e produzem vitamina K.

ESPOROS
Por não encontrarem condições favoráveis de vida os micro-organismos assumem esta forma e passam a ter vida latente.

INFECÇÃO
Quando um micro-organismo se aloja como parasita no homem através da contaminação, sendo necessário que o micro-organismo se desenvolva, prolifere e exerça algum tipo de ação maligna no organismo hospedeiro.

CONTAMINAÇÃO
É a presença de micro-organismos patogênicos em uma superfície qualquer.

MEIOS DE TRANSMISSÃO

DIRETA
Por contato direto entre um organismo sadio e outro doente.
Ex. beijo.

INDIRETA
Através de objetos contaminados.
Ex.talheres.

ESPECÍFICA
Quando o micro-organismo nocivo atinge o homem através de outro organismo.
Ex. mosquito.

VIAS DE PENETRAÇÃO DE MICRO-ORGANISMOS.

Pele;
Vias respiratórias;
Aparelho digestivo.

VIROLOGIA
É um ramo da microbiologia que estuda os vírus. Há aproximadamente cem anos atrás a palavra vírus designava todos os tipos de agentes nocivos ou venenosos. Com o avanço da ciência essa denominação tornou-se mais restrita, já que os cientistas descobriram que certos agentes ao penetrarem em um hospedeiro suscetível reproduzem-se rapidamente e provocam doenças.

Verificaram também se tratar de agentes que somente eram ativos quando em estado de parasitismo. A esta classe de agentes patogênicos ficou reservado o nome de vírus.

Embora não possuindo classificação, os vírus são considerados seres vivos, já que são capazes de reprodução.A reprodução dos vírus acontece no interior das células de um organismo hospedeiro.Desta forma, todos os vírus são considerados parasitas, obrigatoriamente.

ESTRUTURA DO VÍRUS
Estrutura simplificada
O microbiologista Stanley, em 1935, conseguiu isolar e provocar a cristalização de um vírus, o VMT (vírus do mosaico do tabaco). Suas pesquisas revelaram a estrutura e composição química do vírus. Trata-se de um aglomerado de proteínas que envolvem um tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA.

Estrutura molecular.
Todo vírus é formado por um núcleo de DNA ou RNA, coberto por uma série de subunidades de natureza proteica.

MORFOLOGIA
O advento da microscopia eletrônica proporcionou caracterizar as formas dos vírus, podendo ser distinguidos três tipos básicos morfológicos.
Vírus poliédricos;
Vírus tubulares;
Vírus complexos.

REPLICAÇÃO E INFECÇÃO DO VÍRUS
No processo de infecção de uma célula, é somente o ácido nucléico que penetra e se multiplica, sendo este processo resumido nas seguintes etapas:
1- O vírus aproxima-se de uma célula;
2- O vírus é fixado na membrana celular;
3- Comando do metabolismo da célula infectada pelo material genético do vírus;
4- Formação de novos vírus;
5- Rompimento da célula pelos novos vírus formados, que iram infectar outras células.

O processo descrito é denominado de ciclo lítico por determinar a lise (destruição da célula) e dura aproximadamente 30 minutos.Já que os vírus não possuem metabolismo próprio, o tratamento das viroses com antibióticos é impossível.

VIDA
Embora alguns afirmem que a definição de vida é uma questão filosófica, aos olhos da ciência este argumento não encontra terreno fértil. Basicamente a vida pode ser definida como o conjunto de propriedades e qualidades graças às quais os animais e plantas se mantêm em constante atividade. A vida possui um ciclo básico que é inerente a todo ser dito vivo, desta forma para que um ser seja considerado vivo, deve obrigatoriamente encaixar-se neste ciclo e ser capaz de cumpri-lo:

CICLO DA VIDA.
Nascer;
Crescer;
Reproduzir;
Morrer.

Quando homens de renome da ciência da computação afirmam que os vírus de computador são formas de vida criadas pelo homem fico surpreso e indignado, creio que este é mais um urro do ego humano buscando afirmação, uma tentativa torpe do ser humano querer ser comparado a DEUS. A questão da vida é muito mais abrangente e foge ao universo de uma mídia de armazenamento de dados e a um compilador robusto, que nada mais são do que isto. E nós, outros homens da ciência da computação, que cotidianamente somos oprimidos pela enorme quantidade de informação que cerca essa ciência, e somos obrigados como esponjas a absorver o conhecimento que brota de todos os cantos, todos os dias para que não fiquemos ultrapassados, por vezes deixamos escapar o lógico.

Pare um pouco agora e pense a respeito das seguintes questões:
1- O vírus de computador é uma forma de vida?
2- Aqueles que afirmam que os vírus de computador são formas de vida, apresentaram ou fizeram algum estudo científico que sustente tal afirmação?
3- Os vírus de computador são capazes de cumprir o ciclo da vida?
4- Se os vírus de computador são formas de vida, o que são então os antivírus?
5- Os programas aos quais os vírus infectam são organismos vivos?
6- Seu HD sangra?

Para fins comparativos de estudo e aprendizado a analogia empregada atinge em parte o objetivo proposto, com reservas, guardando-se as devidas proporções.Quanto a questão de serem os vírus de computador formas de vida, acredito que tal afirmação não possui base científica para ser sustentada. Os vírus de computador são programas e como tal devem ser tratados, sem mística ou fantasia.

Certamente você não é obrigado a concordar com minha exposição, mas está convidado a refletir sobre o tema. E se acredita que os vírus de computador são formas de vida está desafiado a provar.