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Condutas exemplares de algumas empresas

ACCORHOTELS

Economia vira árvores. Colaboradores na área de plantio na Serra da Canastra. Assim como outras redes hoteleiras, o grupo francês AccorHotels estimula seus clientes a reduzir o consumo de água e toalhas, mas deu um salto adiante com seu programa Planet 21, aplicado em todas as suas unidades no mundo. Em relação a esse tema, a iniciativa prega converter os ganhos obtidos com a economia de água e energia em plantio de árvores. No mundo inteiro, já são 5 milhões de mudas – no Brasil, essa ação ocorre na Serra da Canastra (MG), onde 530 mil mudas já foram plantadas. Os cuidados com a água envolvem ainda conscientização dos colaboradores, instalação de chuveiros e torneiras mais eficientes, monitoramento do consumo, acompanhamento dos níveis de mananciais e reuniões com os fornecedores do recurso em áreas sob risco de escassez.

BASF
Conhecimentos disseminados
Casa E: amostra de residência ecoeficiente em itens como a água. A multinacional química alemã é considerada uma das líderes mundiais em gestão sustentável de água – o reconhecimento mais recente veio com a nota “A” concedida em 2016 pela organização CDP (ex-Carbon Disclosure Project). A empresa já baixou seu consumo de água por tonelada produzida em 43%, desde 2002, e planeja atingir 100% da gestão sustentável do recurso em regiões sujeitas à escassez hídrica até 2020. Entre as ações nesse sentido incluem-se a construção de sistemas de coleta de água pluvial, como na Estação Experimental Agrícola de Santo Antônio de Posse (SP), e a disseminação de conhecimentos entre funcionários, parceiros e clientes sobre o consumo consciente do recurso, como a CasaE, projeto de casa ecoeficiente construída em São Paulo.

BRASKEM
Eficiência interna e externa
A Braskem se destaca no reaproveitamento do recurso. A petroquímica brasileira investe pesadamente na melhoria da eficiência no uso da água: desde sua fundação, em 2002, cerca de R$ 280 milhões já foram aplicados em projetos nessa área nas unidades industriais, com economia de mais de R$ 175 milhões em consumo de água e tratamento de efluentes químicos. Desde 2011 a empresa se destaca em reúso e reaproveitamento da água da chuva, com evolução de 27% até 2016. Além de desenvolver produtos, aplicações e soluções destinados a melhorar a eficiência no uso da água em agricultura e saneamento, a Braskem participa de iniciativas contra o desperdício na distribuição e desde 2016 dissemina entre fornecedores informações sobre gestão estratégica do recurso e riscos hídricos.

CARGILL
Prêmio para a boa gestão
A Cargill vem reduzindo o volume de água usada nas operações. Os problemas gerados pelo consumo mundial de água – e, no caso brasileiro, pela escassez em diferentes regiões do país – levaram a multinacional americana de alimentos a criar em 2015 uma premiação específica voltada para a gestão desse recurso. O Prêmio Cargill pelo Uso Racional da Água (hoje Prêmio Cargill de Sustentabilidade) propôs aos funcionários da empresa desenvolver projetos de inovação e economia de modo a conscientizá-los, e a seus familiares, sobre o uso consciente dos recursos hídricos. Os 26 projetos inscritos demonstraram potencial de economia de mais de 790 milhões de litros de água por ano, volume capaz de suprir por um ano a demanda de uma cidade de 20 mil pessoas. Com iniciativas como essas, a empresa reduziu em 14% o volume de água usada em suas operações entre 2010 e 2015.

FIBRIA
Modelo de sucesso
Conhecimentos sobre gestão hídrica são repassados a vizinhos. Líder mundial na produção de celulose de eucalipto, a Fibria tem um vínculo estreitíssimo com a água, fundamental para suas florestas plantadas e nativas, e trabalha constantemente para sistematizar, ampliar e aprimorar seu uso no campo, na indústria e no entorno das operações – suas fábricas, por exemplo, são consideradas caso de sucesso mundial pela forma como administram os recursos hídricos. Entre as iniciativas mais recentes estão o mapeamento de barragens e açudes em suas propriedades, o levantamento do nível de atuação da empresa em todas as bacias hidrográficas nas quais está presente e um plano para aperfeiçoar conhecimento técnico em gestão hídrica e disseminá-lo para seus vizinhos em bacias consideradas críticas. O consumo de água nas florestas também teve seu monitoramento aperfeiçoado em 2016.

COCA-COLA
Garantia de acesso

A multinacional de bebidas depende intensamente da água em suas atividades e trabalha em diversas áreas para preservá-la. Na frente interna, a gestão eficiente de recursos hídricos já permitiu, por exemplo, a redução de 28% na quantidade de água necessária para produzir um litro de bebida. A Coca-Cola também já devolve à natureza toda a água usada em seus processos produtivos. Outras iniciativas no setor incluem o apoio à conservação de florestas, com o Programa Bolsa Floresta, um projeto em parceria com a startup Agrosmart que ajudou a reerguer a produção de frutas numa região do Espírito Santo afetada pela escassez hídrica e o investimento conjunto com o Banco do Nordeste (BNB), de R$ 20 milhões, em projetos de ampliação do acesso à água no Norte e no Nordeste até 2020, capazes de beneficiar pelo menos 40 mil pessoas.

CPFL
Defesa da biodiversidade
Consumidores recebem informações sobre formas de economizar água. Outra empresa que tem na água uma fundamental matéria-prima, a distribuidora de energia paulista é bastante cuidadosa na gestão desse bem. Em 2015, graças às iniciativas nas instalações internas listadas em seu Programa de Consumo Inteligente, a CPFL conseguiu uma impressionante redução de 78% nos prédios administrativos da sede do Grupo – de 3,57 mil litros usados em janeiro daquele ano para apenas 784 litros em dezembro. Muitas das formas de economia de água relacionadas ao consumo de energia são repassadas também aos consumidores, como diminuição no tempo de banho e uso mais consciente da lava-roupa. O zelo da empresa com a água chega ao ponto de trabalhar pela manutenção da biodiversidade das áreas onde ela opera, por entender que isso ajuda a assegurar a disponibilidade do recurso.

GERDAU
Melhora constante
Reaproveitamento é quase total nas unidades da empresa. Uma das maiores siderúrgicas do mundo, a brasileira Gerdau considera prioritária a reutilização da água nas suas usinas, já que o líquido é um dos componentes essenciais na produção de aço. Ela praticamente já atingiu o topo nesse objetivo: conquistou o índice de 97,5% de reaproveitamento do recurso nas unidades, a partir de investimentos contínuos em sistemas internos de tratamento e recirculação. Como os 2,5% restantes correspondem principalmente a perdas por evaporação, pode-se dizer que a empresa chegou ao máximo possível nessa área. Em 2016, a recirculação de água representou uma economia de R$ 18 milhões nos custos da Gerdau. A empresa segue investindo em projetos de melhorias ambientais que incluem ações de preservação da água: no ano passado, foram R$ 234 milhões.

NESTLÉ
Criatividade no reúso
Fábrica de Montes Claros: reúso de água do leite. A multinacional suíça de alimentos e bebidas estimula seus funcionários, fornecedores, consumidores, governos e instituições a envolver-se em projetos e parcerias que possibilitem o aprimoramento de padrões em termos de eficiência, reúso e tecnologia de ponta, além de conservação e uso responsável das fontes hídricas e ações de conscientização. Entre as metas pretendidas está zerar a captação de água nova no meio ambiente, objetivo conseguido inicialmente em 2014, no México, com um método que reaproveita a água extraída do leite bovino. Esse conceito já foi implantado nas unidades de Palmeira das Missões (RS), na fábrica de cápsulas de café Nescafé Dolce Gusto construída recentemente em Montes Claros (MG). Hoje, o método de reúso de água extraída do leite está presente em 13 fábricas brasileiras de produtos lácteos da Nestlé.

O BOTICÁRIO
Interesse histórico
Em 11 anos de atuação, o Oásis já beneficiou propriedades em quatro estados. O grupo paranaense de perfumes e cosméticos traz desde seu nascimento, em 1977, o interesse pela preservação da natureza, e os cuidados com a água estão perfeitamente integrados a essa diretriz. Em 2016, por exemplo, a empresa atingiu o índice de 27% de reúso na água consumida em suas plantas industriais, e baixou em 61% o consumo de água no processo industrial da fábrica de São José dos Pinhais (PR), a mais antiga do conglomerado, na comparação com 2005. Entre as iniciativas da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza destaca-se o Oásis, frente de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) criada em 2006 pela instituição. Em 11 anos, essa ação já beneficiou 434 propriedades, protegendo em torno de 3.960 hectares de áreas naturais nativas nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Bahia e Minas Gerais.

RAÍZEN
Avanços sistemáticos
A Raízen quer usar 100% da água de cana-de-açucar em suas usinas. Empresa brasileira do setor energético que se destaca na produção de açúcar e etanol, a Raízen, criada em 2010, já tinha um investimento de R$ 50 milhões por cinco anos em ações para reduzir a captação e o consumo de água, como instalação de torres de resfriamento e aproveitamento do condensado de vapor d’água gerado no processo. O salto qualitativo veio no início da safra 2015/2016, com o Programa ReduSa (REDução do Uso da Água). Só no primeiro biênio do programa a captação de água caiu mais de 8 bilhões de litros (o consumo anual de uma cidade de 135 mil habitantes), com economia de R$ 13 milhões. A ação valeu à Raízen o Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água de 2017. A empresa segue pensando alto: quer reusar 100% do volume de água de cana-de-açúcar (correspondente a 46% de reúso frente à demanda de captação total).

P&G
Dever cumprido
Programa Água Pura para Crianças: 36 mil brasileiros beneficiados. A multinacional americana de bens de consumo considera “obrigação” reduzir o consumo de água no ciclo de produção e educar os clientes sobre a água que consomem ao usar seus produtos. Todas as operações da empresa no Brasil contam com projetos de eficiência hídrica – a fábrica de Louveira (SP), por exemplo, recicla mais de 90% da água residual. Mas um dos maiores orgulhos da empresa nessa área é o programa Água Pura para Crianças, que desde 2004 já converteu 10 bilhões de litros de água suja em água pura em nível global para pessoas sem acesso a água potável. A meta é atingir, até 2020, 15 bilhões de litros de água potável fornecidos. No Brasil, o programa beneficia 36 mil pessoas em Minas e no Amazonas.

UNILEVER
Ecoeficiência em alta
Sabão líquido para roupas: menos água na lavagem.A multinacional britânico-holandesa de bens de consumo tem um dos mais abrangentes e ambiciosos programas de sustentabilidade do mundo corporativo, com a água em papel de destaque. No fim de 2016, mesmo com aumento de volume, a empresa havia reduzido em 37% a extração de água desde 2008 e baixado o impacto de seus produtos nos recursos hídricos em 7% ante 2010. As fábricas contam com modernas tecnologias de ecoeficiência operacional – numa delas, inaugurada em Aguaí (SP) em 2015, o sistema de captação e tratamento das águas pluviais deverá responder por 60% do consumo total da unidade. Entre as várias outras iniciativas da empresa para preservar esse recurso estão a criação de produtos que exigem menos água para serem fabricados e poupem água no uso e participação em programas de conscientização sobre o consumo do líquido.

TOYOTA
Esforço incessante
Fábrica de Sorocaba: consumo 42% menor.A montadora japonesa persegue constantemente melhorias que lhe permitam minimizar e otimizar o consumo de água em todos os seus processos produtivos e operações. Métodos como coleta e reúso de água da chuva, mudanças no processo de pintura dos veículos e de lavagem de tanques já levaram a empresa a conquistar o Prêmio Fiesp de Reúso e Conservação de Água, em 2014, e em 2015 possibilitaram um consumo total de 291.871 m3 (abaixo dos níveis de 2013, a propósito) e uma economia de 25 mil m3. A empresa também desenvolve o Projeto Ambientação, que trabalha com as comunidades locais com o objetivo de minimizar impactos ambientais (entre os quais o consumo de água) em prédios públicos e ONGs de cidades com presença da Toyota. Em Sorocaba, foi obtida uma notável redução de 42% no consumo de água.

Fonte: Revista Planeta.