Início | Cursos | Filmes | Links | Clean Page



Crise global e a psicologia do consumo

07/2017 | Deu erro? avise aqui

Atualmente a crise financeira global é o tema mais debatido e temido nas sociedades capitalistas, desemprego, diminuição do crescimento e muita frustração é o que deve ocorrer para uma grande parcela dos trabalhadores destas sociedades, sendo provável que você e eu estejamos inclusos nesta confusão mesmo que indiretamente, afinal somos consumidores.

Sempre que falamos em consumidor existe implícito um conceito muito importante embora pouco lembrado que é o comportamento de consumo. O que determina qualquer comportamento é o processo de escolha individual baseado na maneira como cada pessoa percebe o mundo e o significado que atribuí para cada evento vivenciado.

Todo comportamento que é baseado na capacidade de percepção está associado a um processo educacional, somos o que nossa educação nos permite perceber. Na administração do dinheiro não é diferente, quando ocorre uma crise financeira significa que em algum momento nosso conhecimento não foi capaz de perceber para onde as coisas estavam se direcionando.

Se você já vivenciou uma crise financeira, deve ter notado que não conseguiu perceber o problema em sua totalidade e acabou caminhando cegamente para o abismo financeiro. Será que faltou preparo, educação?

Não lhe parece estranho viver em um sistema capitalista onde as escolas não preparam seus alunos para entenderem o comportamento de consumo e a totalidade dos eventos relacionados com a gestão financeira pessoal, eventos estes, que constituem a base do funcionamento social e no qual todos dependem.

Ao admitir que escola e família, são responsáveis pela preparação do jovem para enfrentar o mundo, sendo este mundo capitalista, a educação financeira é fundamental, então, onde está a meteria responsável pela preparação das pessoas para a gestão financeira? Devem os educadores abordar tal assunto em sala de aula?

Não me refiro aos complexos cálculos financeiros e sim ao ensino básico das regras de mercado, por exemplo, o propósito e funcionamento do crédito bancário, ou ainda as armadilhas do mercado que atuam fundamentadas na psicologia do consumo ou a implicação psicológica entre consumidor e produto.

Como você aborda o tema e prepara sua família para lidar com as inúmeras armadilhas do mercado? Sua família debate sobre planejamento financeiro e comportamento de consumo?

Talvez aqui exista nossa parcela de responsabilidade e contribuição para o aumento da crise, somos na maioria dos casos consumidores despreparados e muitas vezes com uma percepção equivocada e impulsiva diante dos estímulos mercadológicos.

Não tenho a pretensão de apontar soluções ou debater sobre possíveis culpados, apenas desejo expressar uma breve interpretação sobre o assunto.

O sistema capitalista se baseia em duas vertentes de consumo, a primeira e cada vez menos praticada é a compra direta onde o consumidor paga o valor total do produto e adquire este sem contrair dívida, podendo inclusive pechinchar na hora da compra. Nesta modalidade não existe muito espaço para crises, já que não ocorre o comprometimento mensal do salário ou o chamado endividamento.

A vertente que normalmente está envolvida com crises financeiras é o sistema de crédito, onde na maioria das vezes o consumidor que busca esta modalidade não conhece detalhes importantes deste procedimento embora pense conhecer. A falta do conhecimento destes detalhes implica na ausência de planejamento financeiro e possível endividamento.

O comportamento de consumo está profundamente relacionado com a percepção e o significado que o consumidor atribui para sentimentos como liberdade, felicidade, autonomia e diversos outros, entre eles, ansiedade e estresse. Toda compra traz implícito uma série de sentimentos.

Sendo o crédito a porta de entrada para crise financeira, é importante entender o significado e o funcionamento dos sistemas de crediários e adotar uma postura correta na hora de consumir.

No senso comum existe a expressão “dinheiro chama dinheiro” esta frase oculta seu significado oposto que é “dívida chama dívida” e na qualidade de dívida podemos enquadrar todo tipo de promessa de pagamento, ou seja, crédito.

Mas o que é crédito? No senso comum, dar crédito financeiro para alguém significa acreditar que esta pessoa é capaz de pagar o que foi emprestado, portanto, é capaz de gerenciar seu planejamento financeiro, é afirmar que aquele que possui crédito é um consumidor importante ou no mínimo possui certo grau de importância ou confiabilidade.

Observe que neste conceito, ao aceitar crédito o consumidor adquire implicitamente a imagem ou sentimento de capacidade, confiabilidade e certo grau de importância e responsabilidade, além da sensação de liberdade e aceitação social.

A confusão ocorre justamente quando não percebemos a diferença entre possuir o crédito e usar deste crédito. Esta falta de percepção talvez ocorra motivada pela ausência de uma educação formal sobre comportamento de consumo.

Todo crédito financeiro é tentativa de antecipação do futuro e atua diretamente no grau de ansiedade do consumidor, sendo importante observar que qualquer tipo de sentimento de ansiedade tende a ofuscar o raciocínio e favorecer o surgimento de ilusões ou conclusões equivocadas, enganos.

É por este motivo que os empreendedores em geral usam de muito planejamento, com intuito de evitar ilusões e atuar sobre um panorama controlado, mais próximo da realidade futura possível.

Quando alguém possui crédito, está implícito que possui um planejamento e controle financeiro pessoal bem elaborado. Embora implícito, a maioria dos consumidores não possui tal planejamento e quando usam o crédito adquirido é justamente pela falta de organização financeira e não pela existência desta.

Neste caso o consumidor inicia uma jornada que muitas vezes leva para o sentimento inverso daquela que motivou abertura de crédito. Ao não conseguir lidar com a dívida adquirida pela falta de uma educação financeira, surge sensação de incapacidade, rejeição e estresse podendo inclusive atrapalhar no desempenho profissional ou interferir nas relações familiares.

Embora pareça ruim, o crédito não é o vilão e sim a falta de controle financeiro por parte do consumidor despreparado. Nos sistemas capitalistas como no Brasil, existe relativa desigualdade intelectual, de um lado as empresas com pesados investimentos em análise de comportamento para saber como seduzir cada vez mais o consumidor, do outro, a população sem educação formal que ensine a lidar com as armadilhas psicológicas do consumo e com a elaboração de um planejamento financeiro coerente.

A relação entre consumidor e produto é mais que uma simples troca de mercadoria por dinheiro, é acima de tudo um evento psicológico capaz de determinar o comportamento do individuo e alterar sua auto-estima. Não consumimos apenas produtos, mas também emoções e hábitos, por isso é importante um planejamento financeiro adequado.

Mas o que é planejamento financeiro? Planejar é procurar entender quais as conseqüências de uma determinada ação e como esta afeta você e seus familiares, permitindo assim, melhores escolhas para chegar onde se deseja.

Muitas pessoas acreditam que planejamento financeiro é calculo de despesas, esta é uma percepção muito simplificada do assunto. Planejar envolve boa percepção do mercado, muita reflexão, disciplina e atitude.
E você, está preparado para criar o seu planejamento financeiro?

Antes de usar seu crédito é aconselhável produzir um planejamento financeiro consistente com um controle financeiro rígido. Consumir é uma ação de caráter psicológico, muitas vezes manipulado pelo sistema empresarial, través das propagandas sedutoras. Evite a compra por impulso.

Uma boa leitura sobre o assunto é o livro Como viver em tempo de crise e Capitalismo parasitário ambos de Zygmunt Bauman. Para ter uma ideia sobre o conteúdo do livro capitalismo parasitário veja a resenha abaixo:

Baixar Resenha

Não perca Conteúdo! Adicione seu e-mail.



Você sabia!

Edwin Hubble (1889-1953) foi o responsável pela classificação das galáxias como conhecemos hoje. Foi ele quem provou, nos anos 20, que elas são como "ilhas", movendo-se separadamente. São seus também os métodos que possibilitaram identificar a relação entre a distância e velocidade com que se movimentam, razão essa conhecida como constante Hubble.

Destaques do blog
Curiosidade:

Em 2013 um artigo apresentado no congresso internacional de direto, buscou refletir, como o medo coletivo disseminado pela imprensa pode contribuir para a criminalidade. Será que a imprensa brasileira está incentivando a conduta criminosa? Continuar leitura...